“Eu já saí de casa sentindo muitas contrações, muita dor. Na verdade, eu nem queria sair de casa porque achava que ele ia nascer ali mesmo. Como já tive um parto normal anteriormente, eu sabia quais eram os níveis da minha dor”, conta a cirurgiã-dentista Arianny Cantarelli, de 28 anos, que deu à luz dentro de um carro enquanto seguia para um hospital no Recife.
O nascimento de Guilherme Vilarim de Menezes Carvalho Cantarelli aconteceu no dia 30 de março, na Rua 48, uma das mais movimentadas do bairro do Espinheiro, na Zona Norte da cidade. Arianny contou ao Diario de Pernambuco que sofreu com as dores das contrações e que o trânsito, agravado pela chuva e alagamentos em algumas ruas, atrasou sua chegada ao hospital.
“Quando já estava no carro, a caminho do hospital, eu sabia que não ia dar tempo de chegar. Eu já sentia muita vontade de fazer força e, ao olhar ao redor, não tinha esperança de que ia dar tempo, porque havia muitos carros. Minha cunhada, inclusive, baixava o vidro e pedia para os outros motoristas abrirem passagem para a gente”, relatou.
A cunhada a quem Arianny se refere é Thais Vilarim, de 30 anos, que dirigia o carro. “O tempo todo estávamos em contato com a equipe médica, que já nos aguardava no hospital. Primeiro, tivemos que conseguir um carro para sair de casa, e, quando finalmente conseguimos, no fundo eu achava que não daria tempo de chegar antes do bebê nascer. Mas preferi não falar nada para não deixá-la ainda mais aflita. No fundo, ela também sabia que ele nasceria no carro”, disse Thais.
Arianny e Thais tentaram chamar um carro por aplicativo, mas acabaram indo em um veículo emprestado por um vizinho. A mãe de Guilherme contou que, em uma das contrações, sua bolsa estourou e, na seguinte, já sentiu a cabeça do bebê saindo.
“Não passava muita coisa pela minha cabeça. No momento, eu só queria que ele saísse e nascesse bem. Quando ele nasceu, senti aquele alívio das dores, das contrações, e fiquei muito grata, porque vimos o agir de Deus o tempo todo”, ressaltou.
Thais precisou parar o carro para auxiliar no parto e, logo em seguida, encontrou policiais militares, que ajudaram a levar mãe e bebê mais rapidamente ao hospital. Na unidade de saúde, os médicos atenderam o recém-nascido, que chegou ao mundo saudável.
“Meu plano era ir para o hospital com meu marido. Eu queria muito que ele tivesse participado, mas, infelizmente, não foi possível. Talvez, no fim, tenha sido até melhor, porque minha cunhada me deixou muito tranquila. Guilherme está bem, graças a Deus. Fomos hoje à consulta de retorno com a obstetra e a pediatra, e está tudo bem, graças a Deus. Ele está com saúde”, finalizou Arianny.