Depois de nove meses presos no espaço, os astronautas Butch Wilmore e Suni Williams chegaram em casa. Eles ainda devem levar semanas - ou até mesmo meses - para se readaptar à vida na Terra.
A espaçonave onde os dois americanos retornaram pousou ontem perto da costa da Flórida às 18h57 (horário de Brasília). Eles foram enviados à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) em uma missão de oito dias, a Crew-9, em junho de 2024. Mas, por causa de problemas técnicos da cápsula Starliner, da Boeing, usada para transportá-los, Butch e Suni tiveram de permanecer no espaço.
Os astronautas foram trazidos à Terra com ajuda da SpaceX, empresa do bilionário Elon Musk. O foguete Falcon 9, que decolou da Flórida na sexta-feira, com uma cápsula Dragon fixada em sua parte superior, carregou uma tripulação de quatro pessoas a bordo com destino à ISS. A viagem de retorno teve início no fim da noite de segunda-feira. Nick Hague, da Nasa, e o cosmonauta russo Aleksandr Gorbounov também estavam a bordo.
Além dos desafios técnicos, a operação de volta teve contornos políticos. No fim de janeiro, o presidente Donald Trump, que havia acabado de retornar à Casa Branca, pediu ao fundador da SpaceX, Elon Musk, para acelerar o retorno dos astronautas. Ele culpou a gestão Joe Biden, seu antecessor, pelo atraso. A nova cápsula da SpaceX da tripulação de substituição ainda não estava pronta para voar, então a SpaceX a substituiu por uma usada, apressando o processo em algumas semanas.
Mesmo no meio da tempestade política, Wilmore e Williams continuaram a manter um equilíbrio estável em aparições públicas do espaço. Eles evitaram atribuir culpas e reafirmaram apoiar as decisões da agência espacial.
De forma geral, os astronautas passam, no máximo, seis meses em missões espaciais, mas Suni e Butch ficaram por pouco mais de nove meses no espaço.
Embora os astronautas tomem uma série de medidas para prevenir os problemas, eles sempre apresentam alguma fragilidade no retorno ao planeta. Depois de mais de nove meses em órbita, os problemas podem ser maiores. Todo esse período em microgravidade pode ter provocado mudanças físicas e psicológicas importantes.
Em microgravidade, os músculos do corpo não se exercitam da mesma forma com que fazem na Terra porque há muito menos resistência. Por isso, astronautas costumam voltar ao planeta com atrofia muscular, especialmente nas pernas, costas e pescoço
Pelo mesmo motivo, eles perdem também massa óssea, na ordem de 1% por mês passado no espaço, o que aumenta o risco de fratura. Embora eles tenham sido submetidos a uma rotina de exercícios de força, e altas doses de cálcio e vitamina D, pode levar alguns meses até que recobrem totalmente a força.
O sistema vestibular (do ouvido interno), que regula o equilíbrio, não funciona da mesma maneira no espaço. Quando os astronautas retornam, eles costumam apresentar tonteiras, vertigem e dificuldade de manter o equilíbrio. Suni e Butch podem experimentar, por exemplo, a sensação de que o ambiente ao redor está girando e enjoos, especialmente ao mover a cabeça. Outros problemas, incluindo os de visão, ainda precisarão ser observados.