O União Brasil formalizou a saída do bloco partidário pró-Raquel Lyra que integrava na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Com a decisão, o grupo governista ficou com 23 parlamentares, somando os deputados do PSDB, PRD, Solidariedade, PP e da federação PT/PV e PCdoB.
O ofício que anunciou a saída do partido do bloco foi entregue à Alepe na última quarta-feira (12) e publicado no Diário Oficial do Legislativo desta terça (13).
O documento foi assinado pelo novo líder da legenda na Casa, deputado Antônio Coelho, que assumiu a liderança da legenda oficialmente na quarta. Também assinaram o ofício os deputados Romero Albuquerque, que está de licença, e Edson Vieira.
Os governistas Romero Sales Filho e Socorro Pimentel, esta última recentemente alçada a líder do governo na Alepe, não assinaram.
A saída do partido do blocão já era esperada, uma vez que na última semana o presidente estadual do partido, Miguel Coelho, irmão do líder da legenda na Alepe, garantiu apoio a João Campos (PSB) um dia após se reunir com a governadora Raquel Lyra.
Com a saída do União Brasil, o blocão governista agora conta com 23 deputados estaduais, mas a conta poderia ser ainda menor, caso o Partido Progressistas não tivesse retornado para o grupo.
O PP de Eduardo da Fonte — aliado de Raquel — tinha se desvinculado do bloco para tentar se unir com o Republicanos, criando um novo bloco com mais autonomia dentro da Alepe, mas ainda governista.
Acontece que a união não se consolidou porque o Republicanos, que integra bloco com o PSB e o PSOL, não se resolveu. O PP, portanto, resolveu voltar para o grupão.
O Republicanos não aderiu ao novo bloco porque estava num limbo: o então líder da bancada, William Brígido, assinou ofício para integrar o novo bloco com o PP, mas o processo não avançou porque o deputado Mário Ricardo, que apoia João Campos, não aderiu à mudança. Ao mesmo tempo, Brígido não assinou a saída do bloco com PSB e PSOL.
A oposição ao governo segue com o principal bloco formado pelo PSB, PSOL e Republicanos, totalizando 15 deputados.
Além deles, o União Brasil, o MDB e o PL seguem independentes, contabilizando mais 11 nomes que podem votar contra Raquel Lyra — com exceção de Socorro Pimentel e Sales Filho, governistas.
A troca de cadeiras nos blocos partidários interfere diretamente na composição das comissões permanentes da Alepe.
Atualmente, o governo Raquel mantém a presidência das três principais comissões da Casa: de Constituição, Legislação e Justiça (com o PP), de Finanças e Orçamento (com o PSDB) e de Administração (PV). O desejo é, obviamente, mantê-las, mas essa não será tarefa fácil.
Na última quarta, o União Brasil já enviou para a Alepe a relação de deputados que integrarão as comissões. O partido deseja pelo menos uma presidência, além da manutenção da vice-presidência da CCLJ, que atualmente é de Romero Albuquerque e deve ser repassada para Edson Vieira.
O grupo de oposição, formado por PSB/PSOL e Republicanos, também já indicou os nomes que irão compor as comissões no próximo biênio. O grupo tem direito a três nomes nos três principais colegiados e também já deixou claro que vai buscar alguma presidência.
O PSB, vale lembrar, é o partido com maior bancada no Legislativo, com 12 cadeiras, e deve influenciar a votação de algumas presidências de comissões para tentar dissecar o governo, indicando inclusive votos em partidos independentes para esses postos, quando couber.
O PL, independente, também já sinalizou querer a presidência da CCLJ, sendo Alberto Feitosa o nome mais ventilado no momento. O governo, portanto, terá que trabalhar para preservar os colegiados.