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Inflação cobra preço da política de descarbonização ancorados em soja, milho e cana-de-açúcar sem cuidados

Governo ampliou uso de soja no diesel, etanol de milho na gasolina sem cuidado com a destinação das commodities pára produção de alimentos

Publicada em 06/02/2025 às 08:29h - 37 visualizações

por Fernando Castilho


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Presidente Lula da Silva, durante 1ª Reunião Extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética ? CNPE. - Ricardo Stucker  (Foto: )

Foi assim: No dia 17 de março de 2023, portanto, quando o governo ainda estava se instalando, o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira levou o presidente Lula, o vice-presidente, Geraldo Alckmin e o ministro da Casa Civil, Rui Costa para a reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para aprovar um novo cronograma de adição de percentual de biodiesel no novo governo.

Ficou acertado que ela subiria para 12%, em abril de 2023; 13%, em abril de 2024; 14%, em abril de 2025 e 15%, em abril de 2026. Naquele momento, a adição obrigatória de biodiesel era de 10%, abaixo do percentual estabelecido na Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) que previa índice de 15% até 2026.

Conversa de Silveria

O setor automobilístico de veículos pesados sequer sabia da proposição de Silveira que teve o apoio das indústrias produtoras de biodiesel à base de soja. Também a Petrobras foi tomada de surpresa, pois estava se preparando para anunciar o aumento da produção do Diesel R, na refinaria do Paraná cuja formulação prevê o uso de apenas 7% de biodiesel já na formulação do diesel verde.

O argumento da Anfavea e de várias instituições era que ampliar a presença de óleo vegetal prejudicava o desempenho dos novos motores com tecnologia Euro 6, que estavam embarcados nos veículos pesados. Reduzia a performance final.

 

Fábio Rodrigues Pozzebon/Agência Brasil
Governo Federal fixa diretrizes para descarbonização da produção de petróleo e gás. - Fábio Rodrigues Pozzebon/Agência Brasil

 

Formalizada e encaminhada por Silveira, a proposição foi aprovada e, em setembro do ano passado, o presidente Lula da Silva aprovou o Plano Nacional de Transição Energética. Com o discurso de promover a descarbonização das atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural potencial de receber R$2 trilhões em investimentos e de criar 3 milhões de empregos, em 10 anos.

No meio dessa conversa tivemos uma previsão de que, a partir da publicação da proposta como lei, a nova margem de mistura de etanol à gasolina passará dos 27%, podendo chegar a 35%.

Veículos flex

O projeto previa que veículos flex, que correspondem à maior parte da frota nacional, poderiam ser abastecidos tanto com etanol quanto com gasolina, em qualquer proporção. Atualmente, o percentual vigente em todo país é de 27%, sendo o limite máximo legal limitado a 27,5% e, no mínimo, a 18% de etanol.

Esta semana, o presidente pediu informações sobre a alta no preço dos alimentos, querendo dados que ajudem a explicar os motivos que levaram o óleo de soja a aumentar 30% no ano passado.

Milho para etanol

Especialmente o que isso tem a ver com o aumento da produção de etanol que pode estar influenciando os preços do milho que agora passou a também ser matéria-prima de produção de etanol.

O presidente deveria ouvir mais gente e não apostar tanto no que diz Alexandre Silveira. Primeiro, porque uma das razões do aumento do preço do óleo de soja tem um novo fator de pressão (além da cotação da soja no mercado internacional), que é o aumento da demanda da commoditie para produção de óleo para atender a nova demanda na mistura de biodiesel.

Nova demanda

Na ponta, com o cenário de chegar a 15% no biodiesel em 2026, a indústria prevê que produção de biodiesel deverá crescer 130%, dando um salto de 10 bilhões de litros produzidos atualmente para 23 bilhões de litros em 2037.

Se as possibilidades de ampliação de aumento do etanol na gasolina subirem para até 35%, as estimativas são de que a produção de etanol, proveniente tanto de milho quanto de cana-de-açúcar, deve aumentar 84%, passando de 32 bilhões de litros em 2024 para 59 bilhões de litros em 2037.

Bateu na inflação

O que Lula ainda não sabe é o tamanho do impacto dessa projeção trazida a valor presente. Ou seja: O que não explicaram a ele é que, sendo milho, soja e etanol commodities tudo é cotado em dólar. E mesmo com estimativa de produção recorde do Brasil a pressão de preços é automática.

A mesma soja que é exportada para China e Estados Unidos serve para fazer óleo de soja comestível como para ser colocada no diesel feito pela Petrobras ou importado da Rússia.

Milho era comida

O mesmo milho que serve para alimentar toda uma cadeia alimentar é o que agora vai para produção de etanol. E a mesma cana de açúcar serve para fazer açúcar e etanol. E todos eles têm correspondência em dólar.

O que deve surpreender o presidente é o fato de o Brasil agora ter uma nova base de plantas industriais para fazer etanol de milho. Quando foi presidente em 2003, o Brasil importava milho da Argentina e Estados Unidos. Hoje, virou o maior exportador de milho na frente dos Estados Unidos.




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