A auxiliar de dentista Kássia Fernanda da Silva, de 36 anos, que também trabalha como diarista para sustentar os filhos, teria sido vítima de agressões físicas e verbais, ameaça, além de ter sofrido injúrias raciais da patroa que a contratou. O caso foi denunciado na Delegacia de Piedade, bairro onde a violência teria ocorrido.
Em vídeos que circulam nas redes sociais é possível ver a patroa gritando e a expulsando a funcionária de casa. Os gritos se intensificam entre eles e também é possível ouvir o choro da filha de Kássia, uma menina de apenas 2 anos, que acompanhava toda a confusão. Mesmo assim, a dona da casa parte para cima da diarista e chega a dar tapas na funcionária, que estava com a filha no colo e também está grávida de três meses.
De acordo com a vítima, ela era maltratada na casa onde trabalhava e, por isso, teria pedido para deixar o serviço com menos de uma semana de trabalho. Entretanto, quando foi pedir o dinheiro pelos dias trabalhados, a patroa se recusou a pagar e iniciou toda confusão. "Na quarta-feira passada disse a ela que não iria continuar lá. Na quinta-feira, me acordei, fiz os meus afazeres e pedi o meu pagamento, mas ela se recusou e disse que não tinha, que gastou com outra pessoa e que eu deveria pedir ao pai dela. Disse que não iria fazer isso porque quem tinha me contratado foi ela, e que se não me pagasse iria ligar para a polícia. Ela disse para ligar, mas quando liguei e coloquei no viva-voz, ela se possuiu", relatou Kássia Fernanda, em entrevista a reportagem da TV Jornal.
Após a atitude da diarista de buscar ajuda, a patroa passou a agredi-la. "Ela veio me agredir, querendo tomar o meu aparelho de celular para quebrar... Daí começou toda confusão. O pai dela chegou no apartamento e ela começou a falar para ele que não gostava de trabalhar com gente negra, que 'esses macacos não prestam. Que eu era porca e podre e que não queria mais esse tipo de gente para trabalhar lá. Me chamou de negra safada, que eu era perigosa e podre", denunciou.
Ainda segundo Kássia Fernanda, a crueldade da patroa já teria começado nos primeiros dias de serviço. "Não estava aguentando trabalhar lá porque não comia pela manhã, ela só me permitia comer à tarde. No período da noite só comia se sobrasse algo da tarde. E, quando comi o resto de arroz, ela viu achou ruim. Na hora de dormir, ela não quis me dar lençol para forrar a cama para dormir com minha filha. Não quis ceder o ventilador e tive de dormir no calor com minha bebê. Essas coisas eu vi logo que não ia dar para ficar lá", contou a diarista.
A advogada da vítima, Bianca Carvalho, falou sobre as medidas que estão sendo tomadas. "Na esfera criminal, o crime que está sendo investigado é o de racismo, ameaça e lesão corporal. O racismo é uma ação penal incondicionada, ou seja, não depende de representação da ofendida. O próprio delegado de ofício pode investigar. O inquérito já foi instaurado e está sob competência da Delegacia de Piedade. O próximo passo é colher as oitivas das testemunhas, o interrogatório da acusada e, posteriormente, o indiciamento da parte criminal", explicou a jurista.
"Na parte civil estaremos ajuizando uma ação de reparação de dano, para que essa pessoa seja condenada a reparar também pelo dano que Kássia sofreu e vem sofrendo", complementou a advogada Bianca Carvalho.
Em conversa com a produção da TV Jornal, a patroa se defendeu das acusações e disse que queria apenas que a diarista saísse da casa dela. Que havia pago uma das diárias no valor de R$ 150,00. Que a funcionária e a filha comiam da mesma comida que a família e que a filha dela brincava com a filha da doméstica.