Os senadores pernambucanos Humberto Costa e Randolfe Rodrigues (eleito pelo Amapa) contam, no livro “A política contra o vírus – Bastidores da CPI da Covid” (Companhia das Letras, 2023), sobre os bastidores da CPI da Covid, instalada em julho de 2021 pelo Congresso Nacional, que a morte do senador bolsonarista Major Olímpio foi um dos catalisadores da mobilização parlamentar.
Olímpio, que havia sido eleito na onda bolsonarista por São Paulo e depois tonou-se crítico do governo do aliado, morreu em 18 de março de 2021, em função de complicações da covid, dois dias antes de completar 59 anos.
"Foi um coque. A notícia da morte do senador causou um clima de pavor entre nós", relembram, na publicação. "Olímpio defendia valores muitos diferentes dos nossos, mas foi um dos primeiros a assinar o pedido de instalação da CPI", afirmam.
Curiosamente, eles contam que o bolsonarista Eduardo Girão (Ceará), no meio da crise de saúde, em uma reunião de senadores depois da marcha dos prefeitos daquele ano, foi o único que se manteve de máscara no rosto e os quatro demais dispensaram o uso da proteção. Dos cinco presentes, três seriam internados uma semana depois, um deles morreria e outros dois ficaram com sequelas depois de um período de internação. "Girão foi slavo pela máscara"
O primeiro caso identificado da doença no Brasil aconteceu em fevereiro de 2020. No final daquele ano, já haviam 200 mil mortes confirmadas.
Antes do empurrão que a morte de Olímpio deu aos companheiros para assinar o pedido da CPI, a segunda onda da Covid no Brasil já havia provocado uma calamidade no Amazonas, em janeiro, com pacientes morrendo nos hospitais por falta de oxigênio.
"O Brasil ganhou as manchetes pelo mundo... naquela semana (14 de janeiro) já havíamos passado dos 700 óbitos por dia", lamentam. Entre outras revelações, a posteriori, a CPI mostrou que a empresa White Martins havia pedido socorro imediato às autoridades nacionais e até o governo dos EUA havia oferecido ajuda com aviões, recusada pelo Ministério da Saúde de Pazuello.
No livro, os pernambucanos também rendem homenagem à empresária Luiza Helena Trajano, dona do Magazine Luiza, em contrapartida ao comportamento nefasto de boa parte dos empresários brasileiros na época.
"A postura de Luiza Trajano foi, além de republicana, uma marca que a distinguiu de muitos empresários brasileiros. A responsabilidade social e altivez política com que agiu ao buscar Rodrigo Pacheco surtiram efeito imediato. Graças a este movimento, foi possível romper as resistências dentro do governo e, certamente, assegurar a vida de milhões de brasileiros, salvos da covid pela chegada das vacinas", escreveram.