Nas redes sociais, um burburinho se formou após a possibilidade da demolição do Viaduto das Cinco Pontas, na área central do Recife, não ser realizada em meio ao novo projeto de acesso ao Centro do Recife.
Isso porque a intervenção foi uma exigência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para que o Projeto Novo Recife, que prevê a construção de 13 torres, além da requalificarção urbanistica do Cais José Estelita, fosse tirado do papel.
Mas, garantem fontes da Prefeitura do Recife, sob reserva, que o viaduto, o primeiro da cidade, cuja construção data de 1970, será, sim, demolido.
A demolição do elevado faz parte de uma série de diretrizes para redesenho do Novo Recife, que foi divulgado pela adminstração municipal em 2014.
Ainda neste sentido, um ano depois, a Prefeitura do Recife iniciou um processo de discussão que resultou na Lei 18.138/2015, que regulamenta este Plano Específico para o Cais de Santa Rita, Cais José Estelita e Cabanga.
Essa legislação define normas e estabelece parâmetros para o uso e ocupação desta frente d'água, considerando suas potencialidades paisagísticas, fisicoculturais e econômicas.
O tempo passou e, em 2019, a PCR divulgou uma nota à imprensa, na qual relembrava alguns episódios envolvendo o Projeto Novo Recife e o que chamou de "avanços alcançados a partir da nova legislação".
Entre esses avanços, a gestão, liderada à época por Geraldo Julio (PSB), citava a construção de parques e a 'eliminação do viaduto das Cinco Pontas devolvendo a relação que o Forte tem com a frente d'água'. No lugar do elevado, um túnel era previsto.
Agora, passados nove anos desde os primeiros anúncios das diretrizes e ações de mitigação do Projeto Novo Recife, a gestão João Campos (PSB) prevê a construção de uma nova alça ao viaduto, dentro do novo projeto de circulação no Centro do Recife.
Esta alça cairá na Praça Frei Caneca, em São José, e será opção para quem quer chegar ao Centro pelo Cais José Estelita sem fazer o retorno nos armazéns do Cais de Santa Rita.
Apesar da nova alça, fontes com trânsito na Secretária de Política Urbana e Licenciamento do Recife disseram ao blog que o viaduto virá a baixo. No lugar do elevado, um túnel está previsto.
Ainda não está clara qual a funcionalidade da nova alça diante da iminente demolição do viaduto. Por isso, a reportagem procurou a prefeitura e a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) para entender as razões técnicas que levaram à projeção de uma nova alça no viaduto, mas até a última atualização desta matéria não havia recebido retorno.
Por meio de nota, a Secretaria de Política Urbana e Licenciamento do Recife disse que a nova alça do viaduto não será elevada e confirma o que fora antecipado pela reportagem: o elevado será demolido.
Além disso explica como se dará a criação do novo acesso, que, de acordo com a pasta, é de baixo custo. Veja a íntegra da nota abaixo:
"A Secretaria de Política Urbana e Licenciamento do Recife informa que, como parte do novo plano de circulação para o Centro do Recife, não haverá qualquer construção elevada - e que o Viaduto das Cinco Pontas será demolido, como continua previsto no projeto original. Será construído um acesso não elevado na Avenida Sul - nas proximidades do Cais Santa Rita - com objetivo de criar uma conexão com a área comercial da Avenida Dantas Barreto. Essa via facilitará o fluxo dos condutores que vêm da Zona Sul para a área comercial do Centro. Trata-se de uma estrutura de baixo custo, pois não prevê elevação - sendo necessária apenas a adequação ao mesmo nível do pavimento da Avenida Sul. A demolição do viaduto é uma obra prevista na mitigação dos empreendedores do Projeto Novo Recife e segue dentro do plano urbano original."
Apesar da exigência do Iphan, em 2013, de que o viaduto das Cinco Pontas fosse demolido na execução do projeto Novo Recife, o então secretário de Desenvolvimento e Controle Urbano do Recife, João Braga, afirmou que equipamento só deveria ser retirado caso o plano viário constatasse a necessidade da intervenção.
"Tudo isso tem que ser avaliado para não se cometer o erro de derrubar um viaduto e depois constatar que piorou o trânsito. É preciso pensar a longo prazo, no que vai ocorrer com o Recife daqui a cinco anos, por exemplo, quando todas essas obras estiverem prontas. É um impacto grande na cidade", observou, à época, durante apresentação do empreendimento na Câmara do Recife.